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Jim Morrison



Desde lo alto de la duna dejo caer una escudilla que rasga un aire extraño que acecha mi presencia. Ancianos ángeles amasan mi saliva con arena. ¿Quién acompañará mis huellas para descifrar el verdadero rostro de la luz?

Romper el cristal. No hay noche más fría. El nombre del desierto me persigue. Las puertas se derrumban.

Con el hueso roto del coyote buscaré mis años perdidos junto a un demonio que trama el antiguo imperio del cielo.



                                                                                                                    Henry Alexander Gómez


Visions - Laura River



          

eng                                                                   fr



Na terra do coração - Caio Fernando Abreu




Passei o dia pensando – coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só som-cor, ação – repetido, invertido – ação, cor – sem sentido – couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.

Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra com a asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.

Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: “I´m too pure for you or anyone”. Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam por destruir tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome. 

Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos – ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Vega. Levam junto quem me ama, me levam junto também.

Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso. Acesa, aceso – vasto, vivo: meu coração é teu.



Jim Morrison-Père Lachaise




A séance
of sorts is taking place
on the neighbouring grave.
A spiritualist
offers a bronze head
to
             hovering
hands.

A
naked chest
an aura
of hair.
Jim
doomed
to visits from
old rockers
young women

and the odd, unearthly spirit of his neighbour.



                                                          Catherine Cole



Limbo Dreams (for Jim Morrison)




Epiphenomena,
Drugged Moth Trinity,
the blue flame’s gory eye;
Laudanum seeds
flowering in rubber gardens.
A tradition gone invisible,
endangered species of Clowns
falling apart in a trick mirror held
by Green hands spreading
the sex of candy gloss girls,
The vigils of acoustic candelabra,
the sex of Ouija Letters
And galleys of sailor costumes.
Like Cats Coming Out of Clocks
Desperate dilated vigils;
Ideal Stranger, Carnival Organ Monkey,
The ReArrival of France;
the blue flame’s on in the kitchen.
The Naked trace of tinfoil moths, a worm’s symmetry,
helpless + pinned by some
stranger’s hand.
Death for cherub ideation is chinoiserie dream,
Like Cats Coming Out of Clocks
crimson eyes awaken scalp the endless night
daring back the dividends
Only the best waste can leave.
Epiphenomena,
A drugged Moth Trinity,
the blue flame’s even split
The piano is calling you home.
The Man on the River Styx whistling acapella,
unknown to his tune,
absent as a period
entombed in space.
Boy of 27 summers
limbo dreams
Can only speak of Was and When.
Hello! We love you! Hello!
Hello?


                                                                     John Allen



The Death of Venice




Pit bulls kick up dirt engoldened by
the sun, honey to sooth broken
streets of Lexus hybrids and
homeless clowns. Princes sheathed in denim
stagger past out-of- work shamans who hunch
over guitars to rasp their bright
laments: Teenage cops, killings,
a new
apartheid. American

flags jerk, horses’ tongues
flailing, skaters roar radioactive Cool, and I

drive street to street,
dreaming again my old dream of
Venice—Venice, where my
raggedy soul
was born.

ii

A lone festival wind totters through the dusk
under dying palms and the glare of Hollywood
movie shoots. Mad with thirst for
friendship, God, it cartwheels down Rose, up
Windward, over soil of Gashouse, Hopper,
Jim, poets of a
magic bleeding town— searches

between yoga parlors and
cocaine shanties,
gang tags and
one percenters,
between a Bhakti yogi’s prayer and
the embers of our city.

Raccoons peer from crevices
where they huddle in patched sleeping bags,
terrorized,
but when the sky wilts purple they
stride onto the road to stand
naked beneath streetlamps, pale
bruised sentinels.
The wind folds into shapes of
a busker and mandolin,
and together, grieving carolers, they cry:

iii

“O Saints of Exhale, Full Circle, Rama:
Are your seas lagoons for scarred ships?
Are your hearts filled with broken seagulls?

“O crucified poets, meditators, agitators:
Who will stand for adoration?
Who will drive Google and Reddit
from our streets?”

Through chapped whiskered lips the city sings:

“Who are we, who are we, to ask this of you?
We have no names, are only voices,
but still we ask:

“O daughters, lovers, sons;

“O ghost pianist of the Sidewalk Cafe, hammering at
your keys till they splinter across the twilight shore,
O Sixth Street painter topless and paintspattered on your
brown lawn not giving a damn,
O exhalation of dispensary weed cohered into
Christ and lumbering across the waves;

“O baroque literati snug in your aeries of words, scribbling onto
paper already incinerated to ash,
O track mark juvie crash landed from I10 dreaming
of an angel to drag you from your grave;
“O dreamers who blundered west from Houston, Boston,
Boise, only to be dashed against toney anterooms of
Paramount and Universal, and then united to
praise strange circus gods here, at the
edge of the crazy water;
“O crystal-chic agents of the New Age selling
fictions to babies,
O streets that we love,
O ink of night crack slinger, scared father of three,
who whistles to actors quivering in used Beemers;

“O Buddhist baby boomers shipped in from Burma and
Cambridge, despairing to reach psychotically texting
strippers and drunkabilly rockers,
“O air bnb profiteers,
O LAPD privateers,

“O black matriarch who squints at
prohibitively hip eateries which you
in any case cannot afford on the
corner where your great grandmother
worked and died,

“O new gentry who have no idea where you are
and could not be expected to care
what miracles have tattooed this ground,
but might still permit it to turn you into a
porpoise or a dying star—
“Who among you will erupt, ablaze
with care for our weird commons?
Who will describe
one circle around us all, proclaiming:
I am the first born soul of a new family, and
this is my city.
Show me one gambler unafraid to stake it all
on Love,
one true child of Venice—
our Jerusalem, the lost Holy Land
of Los Angeles.”


                                                                                                 Blake Abramovitz




Sem título



Estamos sós
Num planeta errante
Alguns ovnis as vezes pousam por aqi
Colhem vacas&sêmen
Depois desaparecem

Estamos sós
As galáxias se afastando
E nossa fome d contato
Borrada no pó cósmico
Guardamos em nossas gavetas
As fotografias d estrelas já extintas

O universo expande
E isso nos deixa mais sós
O planeta
Um grão de pó desacelera n rastro a Grande Explosão

Pelos radiotelescópios
Ouvimos Jim Morrison :
Este é o fim?

As flores do deserto daqi nos lembram
Qe estamos sós
E os deuses astronautas já não mais nos alcançam

Porq será qe os beijaflores não mais visitam nosso Jardim?


                                                                                                 Cátia Cernov



Jim Morrison




On mornings like this as I drive toward work at 6:21 am

4th Street stretches ahead

without end

as I stick my arm out my window and roll back

my sunroof as the sky begins to lighten

my long-dead father

waves to me from a barber chair as the red white and blue pole spins

ready to tell me never-before-told stories of riding boxcars in the depression

the man

in the donut shop window waving his arms with wild eyes delivering a speech

to the rest of the donut munchers knows the secret

to world peace

Jim Morrison

didn’t die but is a minor aging poet with long gray hair walking to a beat in his head

he wants me to get him a reading

at the Long Beach Poetry Festival

he sticks out his thumb and I wave at him but keep on rolling because I will always

have my chances to stop and give him a ride and listen to him

audition

Charlie Chaplin twirling his cane as he waits at a bus stop

a whiff

of albondigas soup from the red brick Honduras Kitchen

Buddhists

in orange robes leaving the monastery to walk down sidewalks and see

gas stations and old men walking dogs

in the sunrise

Charlie Parker

standing on a corner kicking the heroin and booze for good with a cup of black coffee

in his fist

and the next great jazz breakthrough

in his head

I could ride 4th Street forever

but I turn and head for the freeway

to roll into work

on a morning like this I am not just another factory worker

but the only machinist poet on earth

the one no High School

or university or job ad ever

predicted

and there is nothing on earth I would rather do than pick up a wrench

and wonder who

will step out of the shadows to stroll down 4th Street

tomorrow.


                                                                         Fred Voss



Eu não me adapto, eu transformo.


Quando Glauber chorou
no colo do Darcy
por uma manhã inteira
chorou pelo Brasil
não é na base do fuzil
a superação do espetáculo
é por meio de um atalho.
vai acontecer naturalmente
vai ser bonito pa caramba
E a solução do desemprego
vai ser a morte do trabalho
todo mundo numa boa
mas você não tá preparado
você adora uma cangalha
você adora ser montado
chama o organizador
pra você ser organizado.
Ninguém é livre você diz
é a tal de consciência
subjetivo é ser feliz
objetivo é concorrência
e todo mundo olha o refrão
já tá saindo pelos poros
economia não tem poesia
Eu não me adapto, eu transformo
E o mundo, mundo
é vasto mundo
às vezes rio, às vezes choro
e se mais vasto é o coração
Eu não me adapto, eu transformo
Porque o meu olho é alquimia
e eu sou senhor de tudo
eu não sou bem, eu não sou mal
eu não sou raso, eu sou profundo
sou Rei Lagarto, Homem Total
eu não sou negro, eu não sou branco
yo mi sucedo a mi mismo
eu não compito, eu existo
E quando você estiver
envelhecido com o tempo
e esmagado pela forma
adaptado a adaptar
sobreviver e não viver
assim como Pablo Neruda
eu confesso que vivi
às vezes rio, às vezes choro
mas a este seu mundo…
Eu não me adapto, eu transformo!


                                      Fab Palladino


Fire of unknown origin

.
.
A fire of unknown origin took my baby away.
Fire of unknown origin took my baby away.
Swept her up and off my wavelength.
Swallowed her up like the ocean in a fire thick and gray.
Death comes sweeping thru the hallway like a ladies' dress.
Death comes riding down the hallway in its sunday best.
Death comes driving; death comes creeping; death comes i can't do nothing.
Death goes, there must be something that remains.
Death, it made me sick and crazy 'cause that fire took my baby away.
.

                                                                                                        Patti Smith



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